A Escola Superior de Media Artes e Design (ESMAD) do Instituto Politécnico do Porto (P. PORTO) lança o Prémio John Goto ESMAD, P. PORTO, em homenagem ao artista fotógrafo John Goto, cujo trabalho inovador contribuiu para a reformulação da fotografia como meio de comentário social e crítica cultural. O concurso Prémio John Goto – ESMAD, P. PORTO encontra-se aberto à participação de estudantes do ensino superior nas artes visuais (fotografia, vídeo, cinema, artes digitais, multimédia, design, artes plásticas), de qualquer nacionalidade, individuais ou em grupo.
A associação de John Goto com o corpo docente e os estudantes do Politécnico do Porto remonta a 2001. John Goto deu suporte aos seus colegas portugueses, bem como aos seus projetos de investigação e era muito popular quando se relacionava com os estudantes. É justo, portanto, que nos lembremos de John Goto, um homem descrito pelo The Telegraph como “um génio".
O período das candidaturas ao Prémio John Goto – ESMAD, P. PORTO decorre de 6 de junho até 14 de outubro de 2024.
Não raras experiências dos lugares estão cravadas num eco que atravessa a memória colectiva. A viagem a Espanha, ou a passagem da Fronteira não são meros trajectos, antes percursos cercados por silenciosas memórias que, reportando a cada infância, funcionam como uma ressonância onde outros se apoiam com a sua vivência. Desenha-se uma cartografia afectiva, herdeira dessa memória colectiva que encontramos em Maurice Halbwachs, onde o caramelo espanhol, simples no seu invólucro de papel transparente, forma uma imagem que perturba e quebra a sensação do tempo como cronologia - a imagem-tempo, de Gilles Deleuze, que nos diz ser uma infusão entre o passado e o presente ou uma junção de tempos que, ao sobrepor-se, desafia a linearidade cronológica e evoca um campo de afectos compartilhados. El Caserio é um projecto de instalação que explora a intersecção entre a materialidade da imagem e a memória colectiva, evocando as travessias rumo a Espanha em busca dos caramelos que, apesar de aparentemente triviais, se tornaram ícones carregados de significado. Um exercício de reflexão sobre a materialidade na construção da imagem, num exercício mediado pela luz enquanto decisora da relação de opacidade e transparência entre as camadas de polaroid, filme 35mm e papéis de rebuçado juntas num slide ou, por outra, camadas do tempo, do lugar e da memória, criando um espaço onde as narrativas individuais se mesclam e constroem um território simbólico que perturba e quebra a cronologia do tempo. Como sugerido por Henri Lefebvre ao descrever o espaço social como um “medium transparente, ocupado pela luz, presenças e influências”, esta instalação questiona a relação entre opacidade e transparência, materialidade e intangibilidade. Num diálogo contínuo entre o que é projectado e o que se encobre, a instalação opera num regime em que a imagem e o lugar convergem: o espaço projectado, as sombras das polaroids e os reflexos translúcidos dos caramelos ponderam sobre os rastros que deixamos e para os ecos que nos mobilizam. Este jogo entre a transparência e a opacidade, a luz e a sombra, reconfigura a percepção da paisagem física e emocional, sugerindo trajectos para a experiência participada e a exploração contínua da memória como espaço vivo e colectivo.
André Araújo (1999, Porto) é artista, músico e investigador. Desenvolve uma prática interdisciplinar que cruza instalação, vídeo, fotografia e performance, investigando fronteiras entre geografia, memória e perceção. Licenciado em Jazz (Koninklijk Conservatorium Brussel) e mestre em Criação Artística Contemporânea (Universidade de Aveiro); frequenta doutoramento em Criação Artística (UA/ESMAD/ESAD.cr).
O seu trabalho investiga como as histórias são lembradas, enterradas ou apagadas — em particular em paisagens marcadas por colonialismo, extração e deslocamento.
Beihua Guo (1998, Xangai) é artista visual que trabalha com fotografia, vídeo e instalação. Licenciado em Artes Plásticas e Análise Ambiental (Pitzer College) e mestrando em Fotografia, Vídeo e Imagem (Universidade do Arizona). Recebeu o University Fellows Award (University of Arizona) e o Prémio John Goto.
A instalação Águas do Rio Voador integra o projeto A Menina do Rio, evocando memórias da avó da artista. É composta por uma máquina de costura interativa, rolos de algodão cru, som do fluxo do rio e obras bidimensionais que cruzam fotografia, linho, pintura a óleo, bordados e objetos do universo da costura. O tecido cosido simboliza os “rios voadores” (massas de ar com vapor de água originadas na Amazónia), ampliando a relação entre memória, território e meio ambiente.
Maíra Ortins (Recife, 1980) é artista multidisciplinar radicada no Ceará. Licenciada em Letras (UFC) e mestranda em Criação Artística Contemporânea (Universidade de Aveiro). Participou em exposições coletivas e individuais no Brasil e no estrangeiro, com obra em coleções de museus e instituições públicas.
Inspirada por “The Soundless Voices at the Sight of the Dead on the Streets of Butscha”, de Marcel Beyer, imagina o que aconteceria se todos os animais de um zoológico fugissem em Hanôver. Em filme analógico 35 mm, cria cenas absurdas e utópicas que alertam para o consumo acrítico de imagens e sublinham a necessidade de escrutínio numa era de IA e deepfakes.
Nasceu em São Petersburgo durante a Perestroika. A sua prática fotográfica explora contrastes e processos ligados à procura de identidade, temas ambientais e questões culturais e políticas. Expôs internacionalmente na Europa e nos EUA. É cofundadora dos coletivos C22 (fotografia ambiental) e 20proKuadrat (arte no espaço público em Hanôver).